domingo, 29 de maio de 2011

O Museu do Apartheid

O Museu do Apartheid
Este e um lugar para o qual se deve reservar algumas horas, e um passeio imperdível, muita coisa interessante de ser ver e tambem um convite a reflexao. O museu fica em Joburg ao lado do Gold Reef City, que e um parque de diversao fantástico.
Quando cheguei ao museu vivenciei uma experiência interessante, logo na entrada tem duas portas uma para negros e outra para brancos. Esta e uma tentativa de ilustrar um pouco  a situacao que foi vivida aqui por longos anos, em que os negros viviam em uma forma de segregacao, para eles havia o toque de recolher as 9 horas da noite, nao podiam ficar nas ruas apos o toque. Nao podiam frequentar os mesmos lugares que os brancos, nao podiam sequer comprar as mesmas comidas e mantimentos que os brancos. Eu soube por uma amiga que a empregada negra da casa dos sogros dela, quando ia ao supermercado fazer compras para os patroes precisava levar uma carta da familia autorizando-a a comprar produtos destinados a brancos. Enfim esse povo sofreu todo tipo de segregacao e humilhacao. Por um longo tempo, aqui o branco descendente de Holandeses era rei e negro (os donos da terra) era considerado sub raca, sem direitos.
O fim desta situacao deploravel e muito recente historicamente falando, por isso hoje brancos e negros tentam escrever uma outra historia, mais justa, mais humana. Mas para quem experenciou tanto odio, descaso e desmandos por tanto tempo, fica bem complicado reescrever uma historia livre de preconceito em que a igualdade possa prevalecer; num momento em que o pais cria leis que obriguem as empresas a empregarem negros e a tornarem os negros socios nas empresas, percebe-se que ainda esta longe o momento em que negros e brancos serao apenas cidadaos Sul Africanos independentes da cor da pele.
Voltando a entrada do museu, e interessante a gente so poder entrar por uma porta, eu escolhi a dos negros e meu marido a dos brancos mas isso e so mesmo ilustracao para que o visitante possa perceber como as pessoas viviam, nao podendo entrar entrar em tantas portas abertas dentro de sua proria casa. Entao a gente para diante das duas portas e pensa, Nossa... so posso entrar por aqui, dai fiquei a imaginar como sera que essas pessoas se sentiam  diante disso o dia todo, a semana toda os anos todos que viveram sendo forcadas a pensar que eram menores...
A gente tenta entender, mas fica so mesmo na tentativa. Como disse o coveiro ao lorde no romance, ao ser questionado sobre o porque de nao chorar no enterro do principe, ele responde que tem as maos tao calejadas que a sensibilidade de foi, e o lorde com suas maos finas e delicadas jamais alcancara a sensacao de uma mao calejada,  nunca compreendera que a dor fabrica calos e que esses parecem sobrepor a sensibilidade, mas so parecem.
Ao entrar no  museu, veremos inumeras salas; salas  com fotos, objetos, filmes sendo rodados, textos e mais textos, fotos, filmes e reportagens tudo mostra cenas de pessoas sendo subjugadas, humilhadas, torturadas....Em cada sala reflito e me surpreendo diante da barbarie que o ser humano e capaz de fazer, quando adquire a crenca louca de que e superior e que tem o direito de subjulgar aquele a quem entende como inferior, e pior estas pessoas “superiores” estavam soltas a salvo autorizadas a exercitar seu ego demoniaco. A sala que mais me chocou foi a sala que tem presos no teto alguns muitos pedacos de corda no formato de lacos prontos para enforcar todos a quem se atrevesse a lutar contra o regime, e foram muitos os assassinados, hoje seus nomes constam  em uma enorme placa pouco abaixo dos lacos de corda que os mataram, na mesma sala estao jornais da epoca com muitas das boas caras que morreram lutando pelo direito de igualdade desse povo.
Confesso que a experiencia dessa visita me afetou bastante e triste dar de cara com o lobo do homem assim, desarmada, todos os dias a gente ve nos meios de comunicacao todos os prejuizos que a arrogancia humana traz aos oprimidos. Mas nesse dia o que vi foi uma overdose dessa arrogancia e onipotencia e sua repercussao, a gente se entristece e quase chora muitas vezes dentro do museu eu senti muita vontade de gritar....
Quando sai do museu fui presenteada com a melhor das imagens que poderia existir, depois do banho de tristeza chamada racismo que vi, senti e quase pude tocar; vi no alto de uma escadaria duas mocas jovens, lindas, rindo, conversando, brincando com fones de ouvido, comendo rufles e tomando coca cola, uma loira e a outra negra.

2 comentários:

  1. O mais engraçado, é que em um país onde se pensa,que já deveria ter superado o racismo, é aonde se sente isto mais presente...
    Porque aqui no Brasil, este racismo é velado, mas aí é tudo muito explícito!!
    Adorei o texto... Continua escrevendo....
    Beijos

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  2. Oi Gesiane,
    Muito rica a sua percepção dessas experiências que vai tendo por aí. Grata por nos oportunizar essas informações. Beijo. Marta

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